Gengiva e periodontia

Gengiva sangrando: o que significa e como cuidar da saúde da gengiva

7 min de leitura
Diferença entre gengivite e periodontite: modelo didático comparando gengiva saudável e doença periodontal
Em resumo

Gengiva que sangra ao escovar ou usar fio dental não é normal. Na maioria das vezes é o primeiro sinal de gengivite, uma inflamação reversível com tratamento e boa higiene. Sem cuidado, pode evoluir para periodontite, que atinge o osso e pode levar à perda dos dentes.

1 bilhãode pessoas no mundo têm doença periodontal grave

Organização Mundial da Saúde, Global oral health status report, 2022.

Muita gente vê um pouco de sangue na pia e acha que escovou com força demais. Outras pessoas evitam escovar a região que sangra, o que piora o problema. A gengiva dá sinais cedo, e reconhecê-los faz toda a diferença.

I

Por que a gengiva sangra?

A causa principal é a placa bacteriana, uma película de bactérias que se forma sobre os dentes todos os dias. Quando ela não é removida, a gengiva reage com inflamação: fica vermelha, inchada e sangra com facilidade.

Para a Federação Europeia de Periodontologia, o sangramento gengival, mesmo pequeno, é sinal de doença na gengiva e merece avaliação.

Fatores que aumentam o risco

  • Higiene insuficiente, principalmente entre os dentes
  • Cigarro
  • Diabetes ou pré-diabetes
  • Aparelhos, próteses ou restaurações que acumulam placa
  • Dentes desalinhados, que dificultam a limpeza
  • Pouca saliva, que pode estar ligada a alguns medicamentos
  • Mudanças hormonais, como na gravidez
II

Gengivite e periodontite: qual a diferença?

Gengivite

O que atingeSó a gengiva

SinaisSangramento, vermelhidão, inchaço

Reversível?Sim, com tratamento e boa higiene

Sem tratamentoPode evoluir para periodontite

Periodontite

O que atingeGengiva, osso e ligamentos que prendem o dente

SinaisOs mesmos, mais retração, mau hálito e dentes moles

Reversível?O dano ao osso não se reverte, mas a doença pode ser controlada

Sem tratamentoPode levar à perda dos dentes

A periodontite também está associada a outras condições de saúde, como o diabetes e as doenças cardiovasculares.

III

Sinais de alerta na gengiva

Procure avaliação se perceber um ou mais destes sinais:

  • Gengiva que sangra ao escovar, usar fio dental ou comer
  • Gengiva vermelha, inchada ou sensível ao toque
  • Gengiva que parece “descolada” do dente ou retraída
  • Mau hálito ou gosto ruim constante na boca
  • Dentes moles, doloridos ou mudando de posição
IV

Retração gengival: quando a gengiva “desce”

Na retração gengival, a gengiva se afasta da coroa e expõe parte da raiz do dente. O dente parece mais comprido.

Por que acontece

  • Periodontite
  • Escovação traumática, com força excessiva ou escova inadequada
  • Gengiva naturalmente fina
  • Dentes desalinhados ou movimentação ortodôntica
  • Freio do lábio ou bridas musculares com inserção muito próxima da gengiva

Uma diretriz da EFP sobre escovação traumática aponta que a escovação pode contribuir para a retração, mas não há evidência de que seja a única causa. Por isso a avaliação é individual.

Consequências

A retração pode causar sensibilidade nos dentes, acúmulo de placa, cáries na raiz e prejuízo estético.

Gengiva retraída tem volta?

A gengiva não volta a crescer sozinha. O primeiro passo é controlar a causa para impedir que a retração avance. Em alguns casos, existem procedimentos cirúrgicos para recobrir a raiz, indicados após avaliação.

V

Como é o tratamento

O tratamento depende do diagnóstico. Ele começa com o exame periodontal, em que o dentista mede a profundidade entre a gengiva e o dente e avalia o osso.

Gengivite
Limpeza profissional para remover placa e tártaro, ajuste da higiene em casa e correção de fatores que acumulam placa.
Periodontite
Raspagem e alisamento das raízes, abaixo da gengiva, e consultas de manutenção regulares. Casos avançados podem precisar de cirurgia.
Retração
Controle da causa, orientação de escovação e, quando indicado, cirurgia de recobrimento.

Na abordagem integrativa, o cuidado com a gengiva considera também a saúde geral: diabetes, cigarro, medicamentos, alimentação e estresse, em conversa com os outros profissionais que acompanham o paciente.

VI

Como prevenir problemas na gengiva

  • Escovar os dentes duas vezes ao dia, com escova macia e movimentos suaves
  • Limpar entre os dentes todos os dias, com fio dental ou escova interdental
  • Não parar de escovar a região que sangra: o sangramento costuma diminuir quando a placa é removida
  • Evitar o cigarro
  • Fazer avaliações da gengiva em consultas regulares

Perguntas frequentes

Gengiva sangrando é grave?

+

Não costuma ser grave no início, mas é sempre um sinal de inflamação. Tratada cedo, a gengivite é reversível. Ignorado, o sangramento pode indicar que a doença está avançando.

Devo parar de escovar se a gengiva sangrar?

+

Não. Continue escovando com escova macia e movimentos suaves, e limpe entre os dentes. Se o sangramento não melhorar em poucos dias, procure avaliação.

Gengivite tem cura?

+

A gengivite é reversível: com a remoção da placa e boa higiene, a gengiva volta a ficar saudável. A periodontite não se reverte, mas pode ser controlada com tratamento e manutenção.

Gengiva retraída tem tratamento?

+

Tem. O primeiro passo é controlar a causa. Em casos indicados, cirurgias de recobrimento podem cobrir parte da raiz exposta.

“

Gengiva saudável não sangra. Quanto antes o sinal for cuidado, mais simples é o tratamento.

Se você percebeu algum desses sinais, compartilhe este artigo com quem também pode se beneficiar e leve suas dúvidas para a próxima consulta.

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Referências
  1. Organização Mundial da Saúde. Global oral health status report, 2022. Notícia da ONU
  2. Stavropoulos A. Gum Health Day 2020: Say no to bleeding gums. Federação Europeia de Periodontologia (EFP), 2020. Link
  3. Federação Europeia de Periodontologia (EFP). Guidelines for prevention of gingival recessions and non-carious cervical lesions as a consequence of traumatic toothbrushing. Prevention Workshop, 2015. Link

Texto: Dra. Alessandra Cohen · CRO-RJ 31767. Conteúdo educativo; não substitui a avaliação odontológica individual.

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